|
| Meu querido irmão e minha querida irmã, Quero neste espaço (abaixo) disponibilizar o roteiro de minhas pregações realizadas na Semana Nacional da Família em nossa Região Episcopal Ipiranga - Arquidiocese de S. Paulo. Tive a graça, a honra e também a responsabilidade de ser convidado por D. Tomé - bispo auxiliar da Arquidiocese de S. Paulo -, para conduzir essas reflexões. Espero que ajude as famílias a refletirem em sua vocação e missão. SEMANA NACIONAL DA FAMÍLIA – REGIÃO EPISCOPAL IPIRANGA - 2008 “Escolhe, pois a vida” (Dt 30, 19) – Fraternidade e defesa da vida. Em minha apresentação fiz questão de frisar que eu e Rosana temos 6 filhos, apesar dos dois abortos espontâneos sofridos por ela. Nunca podemos esquecer que a vida humana começa na fecundação. A partir de então, já temos uma pessoa humana, um menino ou uma menina. Lembro que a fecundação acontece pela penetração do espermatozóide no óvulo e isso se dá dentro das tubas uterinas (antigamente denominadas trompas de Falópio). Logo após a fecundação, o óvulo, que não é mais óvulo e sim uma pessoa humana, um menino ou uma menina, continua o seu percurso pela tuba e desce para o útero, onde ficará alojado. Esse processo chama-se nidação – relativo à palavra ninho – pois, o útero será o ninho onde aquele menino ou aquela menina ficará aninhado até estar pronto para nascer para o mundo, pois o nascimento para a vida já aconteceu com a fecundação. Bento XVI em sua mensagem por ocasião do lançamento da CF 2008 afirmou: “todas as ameaças à vida devem ser combatidas.” Entendemos, então, porque a Igreja – mãe e mestra – nos ensina (inclusive baseada na ciência – séria!) que, por exemplo, a pílula do dia seguinte ou o DIU são abortivos. Justamente porque impedem o processo de nidação. Sendo que, aquele ou aquela que será aninhado no útero já é um menino ou uma menina, temos então, um assassinato! Não há outra palavra para qualificar o aborto. Bem como a eutanásia e a manipulação genética embrionária são crimes contra a vida. A vida deve ser defendida e as ameaças denunciadas e combatidas. Testemunhamos momentos dramáticos neste tempo da história da humanidade em que vemos crescer desenfreadamente a violência, a usurpação dos direitos humanos, a cultura da morte, da banalização do sexo, o esfacelamento da família como instituição Divina e como célula primeira e principal da sociedade que, em muitos casos, ou os valores morais, éticos e religiosos se desfiguraram ou, até mesmo, se perderam por completo. A família é e deve ser a casa da Vida, o Santuário da Vida. Temos, portanto, um grandíssimo desafio, como nos exorta Bento XVI, a combater todas as ameaças à vida. É verdadeiramente um combate, uma luta espiritual muito grande e que somente poderá ser vencida com muito esforço, muito trabalho de nossa parte e acima de tudo pela fé, pelo poder da oração e pela fidelidade a Deus através da fidelidade à Igreja em seu magistério. Sabemos que a família precisa ser defendida, valorizada e promovida por toda a Igreja: suas instituições, pastorais, movimentos, associações e comunidades e que, também, esse dever se encontra no Estado e em políticas públicas, mas, essa é uma luta que começa e tem seu foco principal dentro da própria célula familiar, por isso, também aí está o segredo para vencer o combate. “O futuro da humanidade passa pela família!” (João Paulo II - Exortação Apostólica Familiaris Consortio, conclusão). Enquanto tivermos famílias “enfermas” continuaremos tendo uma sociedade “enferma”, formada por cidadãos “enfermos” que saíram de famílias igualmente “enfermas”. A cura da família e conseqüentemente da sociedade está, como nos recorda o saudoso Papa da família, João Paulo II, exatamente na própria identidade e missão da família: “No plano de Deus Criador e Redentor, a família descobre não só sua ‘identidade’, o que ‘é’, mas também a sua ‘missão’, o que ela pode e deve ‘fazer’… ‘Família, torna-te aquilo que és!… a essência e os deveres da família são, em última análise, definidos pelo amor. Por isso é-lhe confiada a missão de guardar, revelar e comunicar o amor, qual reflexo vivo e participação real do amor de Deus…” (João Paulo II Exortação Apostólica Familiaris Consortio, 17). Aqui está o coração, a essência das relações afetivas na família: o Amor! “Guardar, revelar e comunicar o amor…”. Eis a nossa missão enquanto famílias. Mas é preciso também, ter clara a verdadeira concepção do que seja Amor! Bento XVI no início de seu primeiro documento escreveu: “O termo ‘amor’ tornou-se hoje uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas, à qual associamos significados completamente diferentes”. (Bento XVI Encíclica Deus Caritas est, 2 – Dez/2005). O amor ficou relativizado. Conhecendo a verdade que Deus é amor (cf. I Jo 4, 8.16), não podemos aceitar a sua relativização. Não se relativiza aquilo que é absoluto. Será, exatamente, no processo educativo em família que cada criança, adolescente, jovem e até mesmo adulto, aprenderá o verdadeiro sentido do Amor. Como diz um trecho da música do Pe Zezinho, Oração pela Família: “que as crianças aprendam no colo o sentido da vida… e que os filhos conheçam a força que brota do amor”. Se os filhos não aprenderem o verdadeiro Amor no colo dos pais eles aprenderão os “pseudo amores” no colo do mundo! A afetividade e sexualidade, intrínsecas à pessoa humana, devem ser objetos da educação em família. A educação é um dos primeiros e principais direitos e deveres dos pais que não podem abdicar dessa grave incumbência. João Paulo II chega a afirmar que, onde faltar essa educação na e da família, dificilmente poderá ser suprida (cf. Familiaris Consortio, 36). O principal elemento catequético-evangelizador-educativo para as famílias, - logicamente abaixo e a serviço do principal protagonista da evangelização, o Espírito Santo – é o testemunho dos pais. A falta de referência de família, de paternidade e maternidade, de referência de matrimônio, de amor, de perdão, de doação, de unidade e indissolubilidade, enfim, de valores morais, éticos e religiosos é o que mais degrada e deforma a família em sua verdadeira imagem. Vemos como conseqüência disso, uma caricatura de família. Não foi isso que Deus sonhou desde o princípio! No recente documento da CNBB nº 79 – Diretório da Pastoral Familiar – lê-se que a educação deve ser baseada em princípios cristãos; em lares que sejam centros formadores através da coerência de palavras e atitudes dos pais. Vejamos (nºs 120, 130 e 132): “A mentalidade corrente de ’sempre levar vantagem’, impregnada de práticas antiéticas, dificulta uma educação baseada nos princípios cristãos”. Às vezes, pais e responsáveis, com seu mau exemplo, acabam orientando os filhos a desrespeitarem as regras e os direitos que garantem o bem comum.” “O pai precisa saber sacrificar-se e compreender que, se ele trabalhou o dia inteiro, a esposa, mesmo que não trabalhe fora e fique em casa, também trabalhou muito. E continuará trabalhando mais ainda, quando o marido voltar à casa. O lar não é apenas um lugar de descanso, mas fundamentalmente um centro formador, uma escola, dos mais altos valores. O pai é, nessa tarefa, um elemento essencial e insubstituível.” “Os filhos têm a necessidade de encontrar nos pais essa solidariedade perfeita, essa unidade completa de sentimentos e, sobretudo, a coerência entre as palavras e as atitudes da cada um.” Votando ao tema da sexualidade, temos uma bela definição do Pontifício Conselho para a Família: “A sexualidade humana é, portanto, um Bem: parte daquele dom criado que Deus viu ser ‘muito bom’ quando criou a pessoa humana à sua imagem e semelhança e ‘homem e mulher os criou’ (cf. Gênesis 1, 27). Enquanto modalidade de se relacionar e se abrir ao outro, a sexualidade tem como fim intrínseco o amor, mais precisamente o amor como doação e acolhimento, com dar e receber. A relação entre um homem e uma mulher é uma relação de amor: ‘A sexualidade deve ser orientada, elevada e integrada pelo amor, que é o único a torná-la verdadeiramente humana.” (Pontifício Conselho para a Família – Sexualidade humana: verdade e significado, 11). O verdadeiro amor comporta a afetividade e a sexualidade sadias, equilibradas, castas e por que não, santas! É triste constatar que os pais perderam a coragem de educar os filhos para a castidade! Confundimos muitas vezes afetividade com sexualidade e sexualidade com sexo. A afetividade marca todos os níveis de relacionamento que temos com as pessoas. Bem como a sexualidade, que também é característica de relacionamento, não pode ser entendida de uma forma reducionista, a, apenas exercício dos órgãos genitais. Vai muito além e comporta em si a abertura ao amor. O amor doação. O amor que não busca interesses seus, mas a felicidade do outro. A partir do momento em que as famílias testemunharem com a vida esse verdadeiro amor, teremos esperança de um mundo melhor. Um mundo melhor se constrói com famílias sadias e santas. Famílias que tudo ordenam para o amor – Ordo Amoris – em que Deus é o centro gerenciador de toda sua vida, onde se faz a experiência do encontro pessoal com o Salvador – Jesus Cristo – e dessa profunda experiência de amor, nasce o testemunho, que será luz para a própria família e tantas outras famílias que necessitam dessa salvação. “A família é o ambiente privilegiado onde cada pessoa aprende a dar e receber amor.” (Discurso de Bento XVI no V EMF – Valência Jul/2006). Acreditemos, com João Paulo II, que a Civilização do Amor não é utopia, é plenamente realizável. (cf. Carta às Famílias, 15). “Crê no Senhor Jesus, e serás salvo tu e tua família.” (Atos 16, 31). |
| Incluído na Coluna: Artigo, Formações, Palavra do Fundador | |
Comentarios |